Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2016

Tempo de Natal e Ano Novo

 

BoasFestasaaNatal02

«É nesta distância geográfica que formulamos votos de Ano Bom»

 

NA DISTÂNCIA GEOGRÁFICA

DE MUITOS FUSOS HORÁRIOS

  

Neste ano, o tempo de Advento, a chegada do Natal e as vésperas de Ano Novo aconteceram em cenário diferente do habitual, no Noroeste americano, a oito fusos horários do nosso viver em Queluz.

 

Ao longo de sete semanas de um outono/inverno chuvoso e frio, com suas abertas luminosas, vivemos no conforto das casas quentes e iluminadas e no aconchego familiar dominado pela vivacidade sem limites do Apollo, nos seus três anos curiosos, e pelo sorriso irrequieto do Afonso, a gatinhar desde os seus nove meses até pôr-se de pé nas antevésperas dos seus dez meses, afoitos e sem temor.

 

Predominou a sensação de vivermos um tempo artificial, longe o bairro, os vizinhos, os amigos, os percursos, a atmosfera caseira e seus cheiros, ainda os ruídos exteriores e interiores do nosso quotidiano habitual, entre a casa e seu quintal, com Lisboa por perto, como alma-mater e aldeia capital.

 

A falta de relacionamento mais profundo com a vida americana, até pela barreira da língua, limitou o conteúdo vivencial da relação, necessariamente intermitente e superficial, com a cidade de Seattle, que fazemos por amar, um pouco mais em cada ano, desde 2008, enquanto a palmilhamos a pé e nos seus transportes públicos, desde o centro até aos muitos arredores, apetecidos, rodeada de lagos, das águas do Pacífico e das florestas e montanhas a toda a volta.

 

O país de cá, os Estados de lá e a nebulosa do resto mundo ficam como que suspensos. A política, o social, as pessoas, a solidariedade, as paisagens, o imediato e o amanhã, e até o resto do tempo, anterior e próximo, perdem-se na lonjura e, paradoxalmente, nesta proximidade geográfica do que nos rodeia, para se fixarem, em exclusividade e retenção aconchegante, no palpitar de dois meninos irrequietos que absorvem infinitos de atenção e logo aspergem em aguaceiros de dádiva, esparramando, por todos os poros, vida, alegria, choros, descobertas e tentativas-erro que são ensaios e adquiridos.

 

Tudo o mais mergulha na solidão de uma intemporalidade diferente do que a das férias, distante da absorção superficial de que se alimenta o turismo, ou até do simples silêncio das coisas que nos aconchegam, mas que já não vemos nem cheiramos, pela cegueira da rotina.

 

É um eclipse gostoso que deixa à flor da pele o contacto, a vivência, a descoberta, a surpresa do novo e do inesperado, e a pequenina aspiração de adivinhar e desejar futuros e destinos de perfeição e de salvaguarda, para que aqueles meninos cresçam felizes e livres, vida fora, apesar das caneladas da vida. 

 

Foi neste planeta habitado de risos, sobressaltos, aprendizagens, chilreios, de quem experimenta sons ou descobre novas expressões, diferentes gestos ou circunstâncias, que NATAL e SUAS FESTIVIDADES aconteceram, com o ANO NOVO a espreitar para um imediato futuro que já não seguiremos de perto, se não apenas aqui de tão longe, ainda a concertarmos o ajuste dos fusos horários, com os sonos e os sonhos trocados e querendo, depressa, voltar a pôr os pés no quintal e no bairro e regressar à palavra e ao sentir caseiro de amigos, vizinhos e familiares.

 

É nesta distância, habitada de memórias recentes e do seu esteio demorado de anos, que formulamos votos de ANO BOM e de ESPERANÇA para 2016, com a sinceridade, às vezes ingénua, de quem o faz há muitos anos, mas que, neste dealbar de ANO NOVO, o quer diferente, porque tem a novidade de serem também a daqueles meninos iguais a todas as crianças do mundo, onde somos ao mesmo tempo refugiados e nativos, destes nossos, apesar de complexos, pequenos mundos.

 

Queluz, em dia de Reis, 2016-01-06

Esaú Dinis e Lena Mendes

 

publicado por olhoatento às 06:59
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