Sexta-feira, 4 de Março de 2016

Especulações vocabulares (27)

(Significado corrente, mas também exploratório das palavras)

 

 UUUU

  

Último

 

Quem vem depois de todos os outros.

Vir ou estar depois de todos os outros é coisa que não agrada a ninguém, especialmente àqueles que gostam de ficar sempre à frente seja de quem for. O que eles não conseguem por vezes, apesar do seu empenho e de todo o seu esforço. Nas sociedades competitivas como as de hoje, ficar para trás é mais do que uma vergonha: é a prova provada, como garantiriam os juristas, de que não se tem capacidade para vencer. Qual o empresário que dará emprego no seu estabelecimento a um trabalhador incapaz? Qual o que irá correr o risco de comprometer o seu negócio? Ou seja, o seu lucro?

 

Ultramar

 

Conjunto de possessões que estão para além do mar em relação à sua metrópole.

«Possessões», «além do mar», «metrópole», tudo termos que evocam a época colonial. Na Europa do século passado, tal como a Inglaterra, a França, a Bélgica, também Portugal teve o seu Ultramar, que abrangia em África Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Chamadas primeiro de «colónias», mais tarde de «províncias», tais possessões eram discricionariamente administradas de Lisboa, através de um Governador-Geral. Não apenas por essa razão, mas sobretudo pelo direito à libertação da tutela em que se encontravam, todos esses territórios pegaram em armas e lutaram pela sua independência. Que conquistaram ao fim de treze anos de luta. Para tanto, contribuíram decisivamente as lideranças de nacionalistas negros como Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Eduardo Mondlane.

 

Único

 

Que é só um, que é exclusivo.

Muitos se imaginam como tal, mas erradamente. Têm de si uma ideia tão elevada que acham que mais ninguém os iguala ou lhes «chega aos calcanhares», como gostam de afirmar. A sua autoestima é tão grande que não tem limites. O que lhes vale de pouco e não os torna diferentes do que são. Únicos foram Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e Van Gogh. Com o seu talento e as suas mãos, pintaram o teto da Capela Sistina, A Última Ceia, a Ressureição de Cristo e os Girassóis — obras belas, muito belas, e também singulares.

 

Uso

 

Ato ou efeito de se servir de algo

Esse efeito pode ser o desgaste primeiro, a inutilidade depois da coisa usada. Sirva de exemplo a peça de um maquinismo, que ao fim de n horas de funcionamento, indicadas no manual do fabricante, se torna infuncional, pelo que deve ser substituída. Será que o desgaste próprio dos bens materiais ocorre também no que tem a ver com o homem? «Claro que sim!, claro que sim!», exclamarão logo aqueles ou aquelas que se divorciaram dos seus cônjuges após uns anos (às vezes uns meses) de casados. Por motivos que invocam perante o juiz, eles ou elas acham igualmente que chegou a altura de substituir o parceiro.

 

Útil

 

O que serve para alguma coisa.

Se a questão é apenas «servir para alguma coisa», portanto ter algum fim, deixa de ser questão. Neste mundo dos três reinos (animal, vegetal e mineral, como se ensinava na escola), tudo serve para alguma coisa e tem um fim. A verdadeira e interessante questão, aquela que encheu já muitas páginas de livros, deu que pensar a muitos filósofos, foi e continua a ser a de saber se aquilo que está em causa serve para o Bem ou para o Mal. Após, claro, o que não é de somenos, definir o que um e outro significam.

 

Utopia

 

Palavra usada por Thomas More para designar o lugar ideal, perfeito, que tornava completamente felizes os que viviam lá.

Não faltaria aí nada que fosse necessário às exigências do corpo e do espírito; e aquilo que havia era distribuído equitativamente por todos. Quando alguém defende uma ideia também assim perfeita, há logo quem franza a testa, esboce um sorriso cínico, encolha os ombros e comente displicentemente que «isso é utópico!». Ou seja, algo bonito de imaginar, mas impossível de pôr em prática. Talvez sim. Mas é ou não verdade que ideias semelhantes têm feito o mundo progredir? Ou, pelo menos, ser hoje melhor do que ontem?

 

Uva

 

Plural: uvas. Fruta da videira, que é colhida em cachos.

Há-as para comer à mesa e há-as para fazer vinho. E este, como toda a gente sabe, quando se bebe em excesso, não só põe a cabeça à roda, como esbambeia as pernas. E tanto faz que seja branco, tinto ou palhete, porque os três produzem o mesmo efeito. Já há seis mil anos, ou provavelmente mais, a uva estava presente nos banquetes das cidades-estados da antiguidade clássica. Tal como hoje em muitas cenas de filmes hollywoodescos, onde os bagos são comidos boca a boca por algum casal de apaixonados, à maneira de prelúdio de uma noite de amor...

 

IRDEA

 

publicado por olhoatento às 14:33
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