Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Sobre alguns dias do dia a dia (7)

 

 

Quinta-feira, 23 de março de 2017

 

Na morte de um ente querido

 

     De forma trágica e inesperada, perdi há dias um cunhado, de que gostava muito. À maneira de um quarto filho (já que tenho três), o mais velho de todos, com o qual passei anos e anos de convívio, viajei pelo país fora, desabafei tantas contrariedades, entrei até em inconfidências, enfim, compartilhei a satisfação inigualável do companheirismo.

     A morte é realmente o fim de todos os homens, mas não deixa ainda assim de ser terrível. Quando alguém parte deste mundo, parentes e amigos (estes especialmente) perdem nesse momento, não apenas a presença física do desaparecido (o seu olhar, a sua voz, o seu abraço, tudo quanto o caraterizava e lhe era próprio), mas também a sua companhia, ou seja, a certeza de que não têm mais junto de si quem os olhava, lhes falava, os abraçava, até os questionava, quando precisavam de tudo isso. 

     Se a pessoa que morre era dotada de talentos, capazes de tornar menos enfadonho o quotidiano rotineiro das demais; se ela conseguia com uma piada, uma anedota, um comentário, importa pouco com quê, animar quem estava triste, desgostoso, talvez desesperado — então a morte é muitíssimo difícil de aceitar. Não só parece insuportável, mas também injusta. Como aguentar daí para diante tais provações sem tamanha ajuda?

     O Paulo era um homem cheio de talentos, os quais esbanjava nas suas relações. Inteligente, perspicaz e culto, sabia sempre por quem distribui-los.

     Porque fui um desses contemplados, eu sinto neste momento um vazio enorme no peito (bem cá dentro, no coração), por nunca mais o poder ver nem lhe conseguir falar.

     Há muito tempo que não tinha tanta vontade de chorar…

 

Inácio Rebelo de Andrade

 

publicado por olhoatento às 09:47
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