Sexta-feira, 10 de Março de 2017

Sobre alguns dias do dia a dia (6)

 

 

Sexta-feira, 10 de março de 2017

 

Passos Coelho erra de novo

 

     De bandeirinha nacional na lapela do casaco, que conserva aí diariamente, quer chova, quer faça sol, o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, andou até há pouco convencido de que era ainda Primeiro-Ministro de Portugal. Parecia viver assim num país outro que não este, onde o poder político mudara de mãos.

     Claro que ele não era (nem é) louco, muito menos e apenas, como se diz, «um rapazinho birrento», que se servia desse adereço para protestar contra a Assembleia da República, que o despojara e lhe «roubara» a vitória (?) conseguida nas eleições legislativas. De mente sã, adulto e pragmático, interiorizara a ideia de que iria voltar a ser Chefe do Governo — porque entre o PS, o Bloco de Esquerda, o PCP e o PEV, mesmo em caso de necessidade, nenhuma aliança seria capaz de subsistir por muito tempo. Mais tarde ou mais cedo (ele preferia mais cedo do que mais tarde) a «gerigonça» haveria de decompor-se, gripar, sair dos trilhos e ir parar às cucuías…

     Portanto, à maneira de Fé, Passos Coelho tinha para si que precisava só de esperar. Com paciência, serenidade, muita calma. Ou como alguns aconselhavam, «sem fazer ondas»… Tinha também e simultaneamente de controlar certas bocas ameaçadoras dos barões do Partido, que começavam a perceber que tal estratégia estava furada e dava campo aberto ao CDS e à sua líder, Assunção Cristas.

    Quem se ria com tudo isto, para além de Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e Heloísa Apolónio, era o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que classificava talvez o seu correligionário (ou «companheiro», como os «laranjinhas» gostam de chamar-se), não de «louco», nem de «rapazinho birrento» — mas de grandessíssimo e refinadíssimo ingénuo…

     Até que Passos Coelho, como quem acorda de um pesadelo, dá conta de que se enganou. E vai daí, acompanhado pelo líder da sua bancada parlamentar, Luís Montenegro, desata a insultar o Primeiro-Ministro António Costa e o PS, seguro de que será desta vez bem-sucedido nos seus propósitos. Ou seja, de que irá persuadir os portugueses das suas razões e da necessidade urgente de fazer cair o Governo…

     O pior, o pior é que as sondagens, quer antes, quer agora, mostram que não. Que a estratégia continua furada e está de novo condenada ao fracasso.

 

Inácio Rebelo de Andrade

 

publicado por olhoatento às 10:10
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