Domingo, 15 de Janeiro de 2017

Mário Soares, cidadão da Pátria e do mundo

 

 MárioSoares


A PROPÓSITO DO 
DESAPARECIMENTO

DE MÁRIO SOARES 

 

     Por via eletrónica, acabo de receber do meu amigo, colega e camarada António de Barros o texto que reproduzo a seguir. O que faço com muita satisfação: não apenas por subscrever na íntegra o que se refere aí, como também por prestar assim uma homenagem ao cidadão corajoso, democrata e patriota que foi Mário Soares.

Inácio Rebelo de Andrade

 

     Partiu por estes dias e foi a enterrar Mário Soares. Que imensa sensação de vazio, certamente, deixou em todos nós, naqueles que o admiravam e também em quem o seu exemplo e o seu combate tanto incomodaram.

     Com o seu desaparecimento encerra-se uma página no nosso Portugal e também na Europa e no sonho europeu.

     Mário Soares era o último dos grandes construtores da Pátria Europeia, tal como os seus outros amigos, que por serem demasiado conhecidos me escuso de lembrar. Ele tinha uma visão larga da política e da vida. Por tal tratou, e tratou bem, de integrar Portugal na então Comissão Económica Europeia. Introduziu-nos no espaço europeu, nesse espaço que então significava, tal como hoje muitos pretendem que continue a significar, um espaço de esperança, de paz, de solidariedade e de desenvolvimento cultural e económico.

     Será que os atuais líderes europeus serão capazes de “levar a carta a Garcia”? A esperança é sempre a última coisa a morrer, mas as dúvidas e as nuvens negras que vemos acastelarem-se no horizonte europeu não deixam vaticinar o melhor.

     A Mário Soares, com quem muitos de nós socialistas nem sempre estivemos de acordo, com quem mesmo muitas vezes tivemos profundas divergências, aplaudimos a sua profunda formação cultural e humanística, a sua alegria política. Para ele, servir o país não era nunca um fardo; a sua crença na democracia e na sua prática soube gerir o país com inquebrantáveis pertinácia e amor à Pátria.

     Nestes dias ainda muito agrestes, convém não esquecer que foram as suas qualidades que lhe permitiram, a ele e a todos nós, vencer duas seriíssimas crises económico-financeiras. E vencê-las bem, porque saímos delas mais fortes e também mais democráticos.

     Com a sua grande coragem política, o seu profundo conhecimento do território, percorreu o país de lés a lés, confraternizando com o povo, que admirava profundamente e pelo qual nunca se cansou de combater.

     Quando outras crises nos bateram à porta, não nos desembaraçámos delas porque aos dirigentes de então, apesar de muito bem preparados e assessorados tecnicamente, lhes faltou a componente humanista. Na ocasião, o conhecimento da nossa história, do nosso passado, ingrediente indispensável para alcançar o sucesso.

     Julgo ser uma premissa sem possibilidade de contraditório que sem se conhecer a nossa história nada se pode perspetivar, nenhum futuro se pode alcançar. Mário Soares conhecia bem e profundamente a nossa história pátria.

     Esperemos que os dois atuais dirigentes do país, que muito “beberam” desse homem qua acaba de partir, sigam o seu exemplo, tenham a sua coragem, lutando assim e também por um Portugal melhor, mais próspero e mais feliz, não deixando ninguém para trás.

     Tenho a mais profunda convicção de que, quer Marcelo Rebelo de Sousa, quer António Costa, saberão honrar essa memória. Como homens de estado, que sejam capazes de liderar o nosso querido país nos caminhos da democracia, da liberdade e no do bem comum.

 

António de Barros

publicado por olhoatento às 18:03
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