Terça-feira, 21 de Junho de 2016

Especulações vocabulares (32)

(Significado corrente, mas também exploratório das palavras)

 

ZZZZ

 

Zé-povinho

 

Uma das figuras mais marcantes da galeria de caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro, identificadora do povo português.

Esse povo que paga os impostos, as taxas, todos os emolumentos determinados pelo Governo; mas que não fica por aí, porque tem outras obrigações para cuja satisfação deve trabalhar a vida inteira, de sol a sol, no campo, na cidade, seja lá onde for, ganhando um salário que chega só para dar de comer à família. O povo que muitos dizem «ser sereno» e de «costumes brandos», mas que um dia, já farto de ser explorado, maltratado, desprezado — se revolta e vai para a rua gritar o seu repúdio por quem o explora, o maltrata e o despreza.

 

Zelo

 

Dedicação ou cuidado que se tem por algo ou alguém.

Há aquele que é genuíno, sincero, constante, como o da mãe pelo seu bebé dormindo no berço, esse menino que não corre aí perigo nenhum, porque alguém o vela de perto e lhe presta toda a atenção. Mas há também aquele que é interesseiro, forçado, constrangido, levado pela necessidade de proteger quem quer que seja para não perder uma vantagem ou benefício. Quem procede assim não zela pelo outro, mas por si próprio. O guarda-costas de um político, de uma estrela de cinema, de um banqueiro, de um desportista famoso; esse indivíduo armado de revólver, robusto de físico, bem-remunerado pelo seu serviço, serve de exemplo.

 

Zero

 

Número que equivale a um menos um.

Talvez por isso, por corresponder a nada, dá o nome a quem não tem qualquer importância junto dos outros. Um «Zé-ninguém» que incomoda, irrita, envergonha ter por perto, que toda a gente quer ver pelas costas. Ou talvez não: porque há sempre neste mundo alguém caridoso, amante do seu próximo, que o respeita e lhe presta atenção.

 

Ziguezague

 

Série de linhas que formam ângulos alternadamente salientes e reentrantes.

Classifica também o comportamento de quem segue esse desenho. Ou seja, o daquelas pessoas que ora viram para a direita, ora viram para a esquerda, ninguém sabendo ao certo em que sentido vão. Nem com uma bússola, elas conseguem tomar o rumo certo, porque a sua desorientação é natural. Gente volúvel e instável, em que não se pode ou não deve confiar.

 

Zurro

 

O que dão os burros quando querem comunicar entre si.

Ou porque estão contentes, ou desagradados, ou por outras razões diferentes, mas também justificáveis. O povo diz que «vozes de burro não chegam ao Céu». Acrescente-se que nem as dos bípedes que falam muito, mas dizem pouco. Ou nada. Quanto custa ouvi-las, pouco importa onde, que nem vuvuzelas ferindo o tímpano mais resistente…

 

IRDEA

 

publicado por olhoatento às 11:44
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