Quarta-feira, 4 de Maio de 2016

Especulações vocabulares (30)

(Significado corrente, mas também exploratório das palavras)

 

XXXX

 

Xaile

 

Espécie de manto triangular, de dimensões variáveis, com que as mulheres cobrem os ombros ou a cabeça.

Com ou sem franja, negro ou a cores, maior ou menor, usa-se em geral como agasalho; menos frequentemente, como peça decorativa do vestuário. Onde ele ganhou importância especial e se tornou uma espécie de emblema, tal como a guitarra e a viola, foi no fado. Amália Rodrigues, cujos restos mortais repousam hoje no Panteão Nacional de Portugal, não cantava sem o trazer consigo, parecendo até que precisava de lhe tocar com as mãos para evitar qualquer lapso, quer na letra, quer na música.

 

Xarope

 

Solução viscosa açucarada com algum medicamento incorporado, que se toma como remédio, nomeadamente contra a tosse.

Na aceção clássica do termo, é só isso, revelando-se muito, pouco ou nada eficaz. Como acontece com qualquer outro remédio. Numa leitura especulativa e metafórica, pode querer designar o discurso monótono, repetitivo e sem conteúdo de quem fala só por falar e não sabe o que diz. É então mais do que um xarope: é uma xaropada! Ou por outras palavras, um aborrecimento, uma chatice, uma provação auditiva. Que consta quase sempre das sessões comemorativas, homenageando seja lá quem ou o que for...

 

Xelindró

 

Calão usado para designar cadeia, tal como gaiola e xadrez.

Para onde são enviados, a bem ou a mal, aqueles que prevaricam e caem na alçada da Justiça. São sempre lugares a evitar, até porque se pode sair de lá pior do que se entra, com vícios maiores do que aqueles que se tinham. Para esse local mal-afamado, não vão apenas os criminosos; em países onde é punível o direito de opinião, prendem-se aí também os que discorrem pela sua cabeça e rejeitam a regra do pensamento único. Em regimes políticos despóticos, que abundam ainda pelo mundo, a detenção de tais contestatários é duplamente condenável pelas razões expostas.

 

Xenofobia

 

Aversão aos estrangeiros ou ao que é estrangeiro.

Nesta época em que muitos países abrem as fronteiras à entrada de cidadãos de outras nacionalidades; quando estes têm de ir residir para bairros periféricos das cidades; quando são sujeitos aí a condições de vida deploráveis decorrentes dos salários baixos auferidos; quando hostilizam por isso quem os albergou e lhes deu emprego; quando a contestação assume as formas de agressão física e de destruição da propriedade — a aversão aos estrangeiros aparece. E aumenta rapidamente, que nem cogumelos em estufa. Pode parecer até que é uma reação compreensível e aceitável. Mas não é, simplesmente porque se tomam então os efeitos pelas causas.

 

Xeque-mate

 

Posição no jogo do xadrez em que o rei não pode mais movimentar-se sem ser tomado pelo adversário.

Quando tal acontece, a partida chega ao fim. Por extensão figurativa, sempre que alguém se encontra numa situação de que não consegue sair, diz-se que lhe deram um xeque-mate; portanto, que o venceram, seja lá no que for. Pela importância das personagens envolvidas, a História regista «xeques-mates» famosos, como o de Cipião sobre Aníbal em Zama e o de Wellington sobre Napoleão em Waterloo; mais recentemente e decisivo para o desfecho da Guerra Civil Americana, o de Ulysses Grant sobre Robert Lee em Appomattox.

 

Xexé

 

Quem apresenta comportamentos pouco lúcidos devido à idade avançada.

Quando tais comportamentos se devem de facto aos muitos anos de vida, eles são sempre fáceis de perceber e tolerar. O pior é se provêm de gente mais nova; pior ainda se são assumidos por quem é responsável por funções ou tarefas importantes do coletivo social de que faz parte. Neste caso, o xexé não merece, nem a compreensão, nem a paciência, nem a compaixão dos seus semelhantes — por ser alguém que urge pôr de parte. E sem qualquer espécie de comiseração, para salvaguarda e benefícios dos demais.

 

Xícara

 

Peça de louça com asa lateral para servir bebidas quentes. O mesmo que chávena.

Xícaras ou chávenas, conforme a preferência dos que falam delas, foram, são e serão sempre elementos indispensáveis das reuniões de convívio. De xícara na mão, enquanto bebiam um chá da Índia ou um café da Colômbia, muitas mães acordaram entre si o casamento dos filhos; outras vezes, com a mesma cumplicidade, coscuvilharam sobre os habituais e insuportáveis defeitos de uma amiga comum, os gostos alimentares dos seus maridos ou a falta de jeito de uma criada de quarto para fazer a cama e limpar o pó dos móveis.

 

IRDEA

publicado por olhoatento às 15:56
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