Terça-feira, 29 de Março de 2016

Especulações vocabulares (28)

(Significado corrente, mas também exploratório das palavras)

 

VVVV

 

Vaidade

 

O mesmo que presunção, ostentação.

Pormenorizando: a manifestação dos que, exagerada ou injustificadamente, procuram a atenção, a admiração e as homenagens dos outros. Sobretudo dos mais próximos. O vaidoso sobrevaloriza-se sempre; certamente por isso, tenta dar passos maiores do que as pernas. Mais cedo ou mais tarde, soçobra nesse esforço, revelando então o pouco de que é capaz. Envergonha-se com o facto? Qual quê!... Insiste, insiste de novo, porque a sua obsessão de parecer o que não é, de fingir que faz o que não consegue — é incontrolável. Tal e qual uma doença para que não há médicos nem fármacos que sejam eficazes...

 

Vantagem

 

Superioridade de alguém em relação a outrem.

Se existe realmente, os seus detentores ultrapassam (ou ganham, ou vencem, ou derrotam, o termo importa pouco) aqueles com os quais competem. É natural. Por mais que alguns demagogos afirmem e repitam o contrário, as pessoas não são todas iguais. Mesmo quando são igualmente escorreitas de corpo e de espírito, têm aptidões próprias: ora para fazer isto, ora aquilo, ora aqueloutro. Corolário lógico deste facto reconhecido é elas superarem fulano, beltrano ou sicrano quando porfiam com eles algo que é da sua vocação. Quase, quase, uma verdade do Senhor de La Palice...

 

Verdade

 

O que corresponde à realidade, o que é exato.

Porque há muitas realidades, há muitas verdades, poderia e deveria dizer-se a respeito. Ou melhor: para cada realidade, a sua verdade. Não se trata de um jogo de palavras. O que se diz é de tal maneira assim que o que é verdade hoje pode até ser mentira amanhã. E tão incontestáveis no momento uma como a outra. Tome-se como exemplo a Teoria Geocêntrica, que dava o Sol a girar à volta da Terra. Ai de quem se atrevesse a pôr isso em causa! Teria de sofrer o martírio do fogo imposto pela Inquisição. Mas como Copérnico e os seus seguidores vieram esclarecer, era a Terra que girava à volta do Sol e não ele à volta dela.

 

Vida

 

Período de tempo em que um ser vivo vive (passe o pleonasmo)

«É ai que mal soa / é sombra que foge / é nuvem que voa / e como o fumo se esvai», como dizia João de Deus. E o poeta tinha razão. Nasce-se, cresce-se, e de repente, parece até que daí a nada, deixa-se este mundo. Na escala cósmica, esse tempo é um momento, um instante, uma brevidade tão célere que dá para fazer pouca coisa. E faz-se? A favor ou contra o próximo? Pela preservação ou espoliação dos recursos da Natureza? Pela continuidade ou inviabilidade das gerações futuras? Nas contas que encerraremos à hora da morte (talvez de manhã, quando o sol se levanta; ou de tarde, quando as aves recolhem aos ninhos; ou de noite, quando as trevas cobrem a terra); nesse momento final e inevitável, qual será o resultado da nossa contabilidade?

 

Violência

 

Força física ou intimidação moral que se impõe a alguém.

Qualquer delas desrespeita a dignidade humana. E no entanto, como se noticia pela Imprensa, a Rádio e a Televisão, ocorrem todos os dias por todo o mundo, nomeadamente nos cárceres de muitas polícias políticas, como foi a Gestapo alemã, a Pide portuguesa, a KGB soviética, onde os serventuários de cada regime conseguiam obter dos detidos confissões falsas, feitas só para evitar a continuação das torturas. Violência menos famosa (se faz sentido recorrer aqui ao termo comparativo) é também a praticada nos recessos dos lares, onde pais e mães educam os filhos à estalada; a que tem lugar nas residências de 3ª idade, onde os velhos são maltratados porque urinam na cama, chegam tarde ao refeitório ou sujam a toalha da mesa com uns pingos de sopa.

 

Voz

 

Conjunto dos sons emitidos pelo aparelho bucal do ser humano.

Com esses sons, os homens comunicam entre si. O que quer dizer que dão a conhecer aos seus interlocutores o que sentem em cada momento: se estão alegres ou tristes, se gostam ou não disto ou daquilo, se concordam ou não com quem falam. Com a voz, ou melhor, com as entoações que lhe dão e as pausas que lhe impõem, eles podem ir para além do que as palavras expressam literalmente. Um «ai» gritado e um «ai» murmurado revelam emoções diferentes: o primeiro, de desespero ou de cólera; o segundo, de carinho ou de prazer. Quem já os gritou numa pugna ou os murmurou num arroubo sabe isso perfeitamente. E tão bem que nunca se engana e procede em conformidade.

IRDEA

 

publicado por olhoatento às 12:36
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