Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

Especulações vocabulares (25)

(Significado corrente, mas também exploratório das palavras)

  

SSSS

  

Sábio

 

Aquele que tem muitos conhecimentos e se destaca por isso.

Há que perguntar: que conhecimentos? Como os de Isaac Newton (com a sua lei da gravitação universal), de Albert Einstein (com a sua teoria da relatividade), de Marie Curie (com as suas descobertas do rádio e do polónio)? Só quem possui tais conhecimentos merece a designação em epígrafe? E aquele anónimo que aprendeu ao fim de alguns anos, quantas vezes muitos, não na Escola, não na Universidade, mas no seu dia a dia, a vencer as dificuldades enormes que encontra pela vida? Isso não é também saber? O tal que Luís de Camões considerava ser «de experiências feito»?

 

Saque

 

O mesmo que pilhagem, rapina, roubo.

Pelos relatos de muitas batalhas incluídos nos compêndios de História, sabe-se que a ordem de saque era dada pelo comandante do exército vencedor aos seus soldados, que se apossavam então de quase todos os bens do inimigo derrotado. Sabe-se também que nessas lutas arrasadoras, onde a Piedade e a Clemência estavam completamente ausentes, não bastava eliminar vidas — a jornada terminava só com a espoliação do que era possível carregar para casa. Parece que cabos de guerra famosos como Júlio César, Alexandre Magno e Napoleão (para citar apenas três nomes bem conhecidos) permitiram essa baixeza humana. Em abono da verdade e com pesar, acrescente-se que tais procedimentos do passado tiveram e têm hoje alguns seguidores.

 

Servo

 

Aquele que era na sociedade feudal dependente e pertencente a um senhor («o seu senhor»).

O homem desse tempo deixava de ser pessoa para se tornar objeto, algo que se comprava e se vendia, como uma junta de bois, um arado ou uma parelha de cavalos. Uma transação tão infame, tão desprezível, que nenhum adjetivo (nem o mais insultuoso) é capaz de qualificar devidamente. Por se achar o mais humilde de todos os seus irmãos, aquele que existe, não para ser servido, mas para servir, o Papa dá-se esse título, de «servo dos servos de Deus». Pena foi que muitos dos pontífices ocupantes da cadeira de São Pedro, ao contrário do atual Francisco, não tenham correspondido à designação.

 

Sesta

 

Descanso que muitos utilizam para dormir algum tempo depois de almoço.

Há médicos que acham que ela faz bem à saúde: permite recuperar as forças, facilita a digestão e retempera o ânimo para o que resta da tarde. Eles têm razão provavelmente. Mas há sempre gente que exagera, que passa do oito para o oitenta — prolongando o «algum tempo» aconselhável até à hora do jantar. Uma soneca ou repouso demorado de mais, que não contará certamente com a concordância dos discípulos de Esculápio. Pelo menos daqueles que têm consultório aberto e não podem por isso fazer o mesmo...

 

 

Quem não tem companhia.

«Mais vale só do que mal acompanhado», diz o aforismo popular, querendo destacar com a frase que há presenças evitáveis. O facto traduz em si uma exceção, porque o homem, como observou Aristóteles, «é um animal político», ou seja, da «polis», portanto da cidade. É da sua natureza e vocação viver junto dos outros. Tanto assim que Adão, quando se viu no Paraíso sem mais alguém semelhante, se entristeceu — tão declaradamente que o Senhor Deus lhe percebeu a frustração e o contemplou com uma mulher. Eva, pela qual se apaixonou, com a qual acasalou e de quem teve dois filhos, Caim primeiro, Abel depois.

 

Sobejo

 

O que sobra, o que excede as necessidades, o que é de mais.

Numa sociedade dita da abundância, isso pode corresponder aos restos de um banquete que superou o apetite dos comensais. Restos que ficaram abandonados sobre a mesa: talvez numa casa de família, num restaurante, na consoada de um Natal, no almoço de uma Páscoa, numa refeição comemorativa qualquer. Restos que se deitam fora e vão apodrecer dentro de um contentor; que podiam alimentar muita gente que morre todos os dias de fome em África, na Ásia e na Améria Latina. Sobejo para uns, míngua para outros, num mundo onde a distribuição e o consumo dos bens é tão iníqua.

 

Soberba

 

Mais outro pecado mortal

O homem dominado pela soberba é cego: se não da vista, pelo menos do discernimento. Convencido como está de dispor de dons que não possui, compromete-se em empresas que não pode levar a cabo. Ele tem o passo maior do que a perna, ignorando as suas limitações. Cheio de empáfia, olha os outros de cima, porque os considera inferiores e lhes não atribui nenhuma importância; seguro dessa certeza, só em si confia e só a si atribui qualidades e direitos.

 

IRDEA

 

publicado por olhoatento às 10:11
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