Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Apresentação de «Como Jogar com as Palavras»

 

Dr. Esaú Dinis 

 

Um livro do coordenador deste blog, «Como Jogar com as Palavras», foi lançado na FNAC-Colombo no dia 2 deste mês. A apresentação da obra esteve a cargo do Sociólogo Dr. Esaú Dinis, colhendo então o elogio de todos os convidados presentes. Pelo seu interesse e oportunidade, é aqui reproduzida em duas partes.

 

Parte I - “Como jogar com as palavras…”

 

Guardo na memória o dia em que a nossa professora da escola primária trouxe para a sala o dicionário de português. Foi o acesso a um instrumento que acicatou a curiosidade e ficou para a vida.

Fiquei a gostar de dicionários e de tê-los por perto. Mas fui aprendendo que nem tudo é óbvio no labirinto das palavras e seus significados.

Quem nunca sentiu frustração de não encontrar o melhor termo para traduzir quanto sente, adivinha e quer exprimir, no intuito de que outros também o partilhem.

Deparamos, até, com a incapacidade de diferentes dicionários responderem satisfatoriamente ao impulso de adivinharmos o que se esconde por detrás e por dentro de um vocábulo que entrou na moda, sem que ninguém lhe conheça as entranhas. Veja-se pós-verdade, factos alternativos, verdade circunstancial, para-verdade, pré-verdade, para não falarmos da parafernália de termos tecnológicos, que brotam na neblina da noite.

Onésimo de Almeida lembra que o nosso professor de Sociologia, Francisco Carmo, costumava repetir: “As coisas mudam de nome, mas o nome não muda as coisas”. É que as palavras apontam para a realidade, mas não a esgotam. São metáforas do real.

Quem escreve, com alguma regularidade, sabe que escorrem dias às voltas duma ideia, sem que se agarre o termo apropriado à significação pretendida, e que, depois, isurge um caminho novo para dizer diferentemente, e porventura melhor, o que parecia indizível.

Como recorda Inácio Rebelo de Andrade, citando a sua professora da instrução primária, até o lugar que o adjetivo ocupa pode mudar significativamente o sentido da frase.

Imagino que tenham sido situações semelhantes as que o desafiaram, em 2014, a abrir uma nova linha de montagem na sua fecunda atividade de escritor de ensaios, contos, memórias, novelas, romances, alegorias, evocações, histórias, poesia e, agora, especulações vocabulares, incluindo, suas decorrências exploratórias.

Tal abrangência não compreende as mais de 40 obras publicadas em matérias da sua formação académica, nem a reconhecida competência de consultor da UNESCO.

Sem esquecer a licenciatura em agronomia e o doutoramento em engenharia agronómica, que lhe abrem um campo vasto de inserção no meio, realço o contato precoce com a Extensão Rural, que bebeu em Angola, diretamente do engenheiro agrónomo Hermann Pössinger, que a aprendera e experimentara no Brasil e depois a praticou no Andulo. Aliás constituiu o tema da Agregação feita na Universidade de Évora, com o título: “Difusão de Inovações Agrícolas e a Extensão Rural”.

No batismo destas altas qualificações académicas, e esboço de uma vocação prematura, encontra-se a Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, aonde chegou, aos catorze anos, vindo do umbigo de Angola, a então cidade de Nova Lisboa, hoje Huambo, onde nascera e a que se mantem fiel, mau grado contar mais anos de “exílio” do que da terra natal.

Com 19 anos, em 1954, o jovem huambino regressa a Angola, com o diploma de regente agrícola, profissão que, durante dez anos, exercerá, no Huambo, aprofundando ainda mais as raízes angolanas que alimentaram memórias e sonhos e inspiraram a sua obra literária.

Quero sublinhar a importância desse banho de terra e de gentes da lavra, em contraponto com o canto do exilado que poetiza nestes termos: “Sou que nem árvore/vinda de Angola/ -que foi levada/da sua terra,/perdeu o viço/e estiola”.

 É tempo de fazermos uma primeira aproximação ao livro que nos interpela, começando pelas Especulações Vocabulares, nome primeiro.

Tudo começou, a 1 de agosto de 2014, no blogue “Da minha Janela Aberta para o Mar” com a palavra ALVO, à qual, naquele ano, se seguiram os vocábulos AMOR, ANGOLA, APARATO, ARMADILHA e BELEZA, que serviram de protótipo para os mais de 300 verbetes, que, durante os anos de 2015 e 2016, foram sendo divulgados.

Estas primeiras entradas, aparentemente aleatórias, abrem ao leitor um campo de significações originais que o desafiam a seguir diversas pistas, umas apenas insinuadas outras explícitas, embora que contidas.

É verdade que a introdução do verbete Angola não tem nada de inocente, pois oferece-lhe lastro para discorrer sobre a sua terra e invocar o mar, sentir o cheiro das flores do mamoeiro e de maracujá, do canto do benguelinha e do martrindinde, dos rios, do cacimbo e da estação das chuvas e das saudades (“muitas, muitas, que dói até no peito!”).

Do blogue saltaram para a revista “Cultura, Jornal de Angola de Artes e Letras’, persistindo a convicção de que precisavam e mereciam respirar outras paisagens e destinatários, tornando-se facilmente manuseáveis a um público mais vasto.

Este propósito acaba agora por concretizar-se, sob a chancela das Edições Colibri, editor preferido do autor desde 2009, com o livro: “Como Jogar com as Palavras - Especulações Vocabulares de A a Z , ou Derivação Exploratória de Alguns Significados Correntes”.

Disponível para o grande público temos um livro contendo os 295 verbetes selecionados. Cada entrada transcreve, em itálico, numa frase bastante sucinta, o significado usual que os diferentes dicionários trazem. Depois, o escritor ‘filólogo’, filosoficamente, agarra cada vocábulo, espraia-se, mergulha, e traz à superfície o resultado operacional da especulação exploratória de outras significações, que generosamente nos prodigaliza.

Seguindo o abecedário, as palavras foram sendo escolhidas, de forma fortuita, de acordo com as circunstâncias e a predisposição do autor para as explanar a contento, isto é, seguindo o padrão explicitado na Nota Prévia em que afirma: “Houve quase sempre a intenção de relacionar cada vocábulo com o homem. Ou melhor talvez: de aproveitar o termo abordado para evocar a propósito o que as pessoas são ou podem ser no tocante ao seu caráter, portanto às suas virtudes e aos seus defeitos.”

Em “como jogar”, estamos diante do advérbio “Como”, que corresponde ao modo do autor explorar a mina de significados que as palavras escondem e revelam. Será o equivalente a “de que maneira”, “de que forma jogar”.

Vamos procurar perceber o que significa:  “Como jogar”?

Asseguro que este jogo não tem a dimensão agónica do desafio radical, de quem arrisca, sofre, se angustia até ao stresse, numa competição desabrida, luta desigual em que a palavra nunca se esgota em definitivo, pois sempre renasce em nova metamorfose. Aqui o jogo é ameno, lúdico, instrutivo, quase didático, certamente pedagógico.

Dos muitos sinónimos encontrados para o vocábulo “jogar”, seleciono, agitar, apostar, arriscar, aventurar-se, brincar, disparar, esgrimir, estribar-se, exercitar-se, folgar, semear.

Não é pura recreação ou entretém de quem se distrai ou folga com os múltiplos significados e suas derivações, à toa, por simples voluptuosidade, prazer gratuito, e efémero, sem compromisso nem consequência. Mas terá uma pitada de todas estas maneiras de jogar.

É gosto, gozo, é graça, usufruto, estar-bem, mas enquadrado em exercício de criatividade, de quem quer ir mais longe, com o cuidado de servir, despertar em outrem a reflexão, a descoberta, convite a atravessar o espelho e olhar outras dimensões do possível. É como dançar dentro e por dentro de uma língua.

Jogar com as palavras, significa dar-lhes vida e falar da vida concreta de homens e mulheres de carne, osso e desejo.

Mia Couto, di-lo eloquentemente: “Venho brincar aqui no Português, a língua. Essa que dá gosto a gente namorar (…) A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia (…) O meu desejo é desalisar a linguagem colocando nela as quantas dimensões da Vida”. (citado in: Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, Verbo, 2001).

Não há chave, é um jogo de escondidas, com final feliz, cada leitor é convidado a aceitar o desafio de ir mais longe, de questionar e deixar-se interpelar. É um desaviso em que a imprudência está apenas em correr o risco de se perder a folhear um dicionário de sinónimos.

Mas vamos adiante no título do livro “Como jogar com as palavras? Já tardavam. Ei-las, na nossa mira, as palavras.

É verdade que são frágeis, mas resistem ao tempo. É certo que são equívocas, mas abraçam o real, o concreto, o palpável, o visível. Não têm cheiro nem olhos, tato ou paladar mas descrevem quantos aromas há, toda a paleta de cores, cada tela, escultura, paisagem, afagam, ferem e acariciam, comovem e abalroam, ofendem, perdoam e inspiram. Há palavras que caem bem, outras que nos põem de rastos e algumas que nos levantam nas nuvens. Até no silêncio gritam. As palavras que fizemos nossas acabam por constituir elementos do nosso ADN, tornar-nos pessoas falantes, ouvintes, reflexivas, morais.

Parecem vazias, ocas, sem peso, adormecidas nos dicionários e nos livros, mas cada um pode soprá-las em sons e enchem almas. Quais balões tanto sobem como se rasgam e ficam esquecidas nas dobras da memória. Podem ser desenhadas em carta e levam mensagem ao outro lado do globo. Declaram sentenças de morte, mas também libertam grilhetas, gritam ou sussurram afetos, amores, carícias. Infelizmente também bocejam na ronha e se envinagram de ódio.

Luís Miguel Cintra, em conferência proferida no mosteiro das monjas dominicanas ao Lumiar, em 12 de novembro último, disse: “ É tão bonito todo o vazio que as palavras nos deixam. E que cada um preenche com experiências diferentes que provocam e resultam em maneiras de ser diferentes.” [in: conferência, proferida em 12 de novembro de 2016, “O desejo como arte e a arte como fé? (com a ajuda da leitura da Ode de Camões Pode um desejo imenso)”].

José Saramago alerta-nos quando diz que “as palavras são rótulos que se apegam às coisas, não são as coisas” (citado por Onésimo Almeida). Mas eu prefiro o paradoxo nós somos palavras. Cada um tem um naipe próprio que o desenha e identifica, e com o qual vai a jogo ou descarta.

Irei mais longe. São as palavras que, não raramente, nos provocam e escolhem, nos cativam, se casam connosco, seguindo-nos vida fora e vida dentro.

Vamos a passar, há uma palavra no ar e prende-nos, para um dia inteiro. Não nos larga. Veio de fora, mas parece ter feito ninho bem no interior. Se fizermos silêncio, podemos escutar as palavras que nos retratam e definem. Somos sujeito único e múltiplo com elas. São os nossos marcos geodésicos, fronteiras de sons, mapeamento de letras e sinais, papel escrito, rabiscado, impresso, amachucado, digitalizado, eco do que somos, voz que clama ao longe.

Inácio Rebelo de Andrade dá à estampa um livro diferente, construído pedra a pedra, palavra a palavra, na sua oficina do escritor que pensa e instrui, anima e propõe, desafia e oferece.

 

PARTE II - As Especulações Vocabulares revelam traços de uma autobiografia escondida

 

Aqueles 295 vocábulos, que enchem o livro que Inácio nos oferece, constituem o retrato em prosa do autor, e por isso, temos, em mãos, uma invulgar autobiografia de letras, palavras, significados, vivências, reflexões do escritor-pensador-pedagogo Inácio Rebelo de Andrade.

Leio na net que, entre os dois e os três anos, uma criança poderá ter um vocabulário de 300 palavras e todos os dias irá juntando outras. Já esboçam o que é e um dia será. Mas ainda tem uma vida para dar e receber. São palavras leves. As de Inácio têm peso específico. Foram selecionadas entre as seis a oito mil ou mais que um universitário domina. São palavras com raízes. Cada um tem a seu baú de palavras.

Drumond de Andrade, escreveu um poema breve que nos interpela até ao osso, reproduzido na abertura do “Dicionário da língua Portuguesa Contemporânea, da responsabilidade da Academia de Ciências de Lisboa”, editado em 2001, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Diz assim: “Chega mais perto e contempla as palavras./cada uma/tem mil faces secretas sob a face neutra/e te pergunta, sem interesse pela resposta,/pobre ou terrível, que lhe deres:/Trouxeste a chave?”

Um dicionarista que pretenda editar um dicionário não pode escolher as palavras a seu gosto. Não pode excluir nenhuma e tem de descrever cada termo com exatidão, sem nada escamotear e no exato cumprimento das regras e leis aplicáveis.

Quem pega no citado dicionário da nossa Academia de Ciências, onde há cerca de 70.000 entradas, e delas escolhe apenas 300, não escapa a si próprio: Uma palavra em cada 233 (0.42%) Tem de haver escolha. E a escolha tem impressão digital.

Virgílio Ferreira, no discurso que fez ao receber o prémio Europália revelou que “Uma língua é um lugar donde se vê o mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir.”

Ludwig Wittgenstein, no mesmo sentido, afirma que “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”.

Iluminados por esta conexão entre língua/linguagem e o respetivo mundo de cada um, vamos à questão central. O que revelam do autor Inácio Rebelo de Andrade as 295 entradas que constroem este livro?

Globalmente, e atendo-me apenas ao que o autor revela neste livro, arrisco afirmar que se trata de um humanista erudito e acessível, democrata, pedagogo, crente, aberto ao futuro, ecologista, mensageiro de valores, missionário de virtudes, porém capaz de denunciar o vício, a mentira, a corrupção, o mal, dito ao seu modo, os pecados.

Os tradicionais 7 pecados mortais estão lá todos e ainda acrescenta da sua lavra, outros mais: burla, corrupção, infiel (infidelidade), mentiroso (mentira) ódio, ofensa, opressão, ronha, vaidade, violência, volúvel (volubilidade) xenofobia, ziguezague. Admito que classificar ziguezague de pecado e logo mortal, seja exagerado. A responsabilidade, a bem dizer não é minha. Inácio explica que se trata “daquelas pessoas que vivem, ora viradas para a direita, ora viradas para a esquerda, ninguém sabendo ao certo em que sentidos vão. Nem com uma bússola elas conseguem tomar o rumo certo (…) gente em que não se pode ou não deve confiar.”   

Pensando positivo, importa deixar o mal e realçar as muitas virtudes apresentadas no livro: amor, caridade, castidade, coragem, diligência, esperança, franqueza, gratidão, honra, humildade, justiça, liberalidade, paciência, temperança, verdade, zelo.

Aliás o livro trata ainda outros termos religiosos: Deus, diabo, espírito, inferno, infiel, jejum, juramento, lei, morte, natal, paz, profeta e quaresma.

No conjunto das entradas perpassa uma dimensão cívica, progressista, esclarecida, crítica, mas também pró-ativa e prospetiva.

O professor, o político, o escritor angolano-português ou luso-angolano, o engenheiro agrónomo, muitas vezes sociólogo agrónomo, cientista, especialista, o poeta, o romancista e o ensaísta estão lá, embora eu reconheça que é na sua produção literária e científica que se encontra o tratamento exaustivo e vivo das temáticas correspondentes.

Mas será, sobretudo, nos livros de índole literária que poderemos contatar com o português nascido no meio da África, paredes meias com os umbundos, de quem aprendeu inúmeras palavras que pululam nos seus livros, onde a angolanidade se casa com a lusitanidade.

Também estão presentes vocábulos que respeitam à sua dimensão de professor e cientista, escutando as entradas: ESCOLA, UNIVERSIDADE, CONHECIMENTO E HIPÓTESE.

O autor defende uma sociedade mais justa sem esquecer o binómio de direitos e deveres, a natureza e a cultura, a tradição e a modernidade.

A concluir duas breves sugestões.

O livro merece ter leitores de todas as idades. Prevejo segunda e terceira edições.

Permito-me, por isso, alvitrar a inclusão de novos vocábulos de incidência angolana, como: alambamento - bailundo – biliosa - cacimbo - cafeco - colono –  contrato – êxodo – guerrilha – huambino – imposto – independência - lamento – lusofonia - luto – maboca - maca - matabicho – mato –  maximbombo –  medo - merengue – movimento - muceque - muxima – oposição – palhota – pano - picada – planalto - queimada – retorno - quimbo – sanzala.

Seriam particularmente oportunos estes verbetes para edição que tivesse Angola como destino prioritário ou intencional.

Embora sem competência para sustentar pedagogicamente, sugiro que o livro seja proposto para integrar o Plano Nacional de Leitura, como obra útil aos estudantes que com ele se sentirão desafiados a descobrir, amar e desenvolver a língua portuguesa em todas as suas encarnações.

Deixo à vossa curiosidade um livro invulgar que recreia e recria, que desfruta e ensina. Rebelo de Andrade, em estilo sóbrio e direto, oferece-nos, uma aguarela de vocábulos, em estilo gracioso e instrutivo, sem nunca esquecer o seu pendor de arauto de uma ética de valores e uma moral de comportamentos.

Inácio Rebelo de Andrade revela-se neste livro um genuíno lavrador-semeador de palavras, não fora ele um profissional da terra e das gentes.

 

Queluz e FNAC/Colombo, março de 2017

Esaú Dinis

 

publicado por olhoatento às 15:33
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